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Avistamento de baleias e um bando de 2 mil golfinhos na baía de Monterey, a elegância do relevo de Point Reyes, com direito a café da manhã com vista para os elefantes marinhos. As cores incríveis de outono em June Lake e a paisagem espetacular de Yosemite, que faz você se sentir em O Senhor dos Anéis. Nossa viagem de outubro para a Califórnia foi uma das melhores que já fizemos.

  • Viagem de casal para a Califórnia: 2 a 19 de outubro de 2016
  • Objetivo principal: fotografia de natureza
  • Texto: Claudia
  • Fotos: Claudia Nikon D800 e 300 f4 VR com tele 1.4, Canon S120 e Iphone 5s. Cristian: Fuji X-T1 com lentes 18-55 e 55-200, Nikon D800 e 300 f4 com tele 1.7.

Galeria de destaques

Custos da viagem

Total de uns R$ 24.300 para um casal, contando tudo, 17 dias de viagem (considerando um dólar a 3,5).

– Passagens São Paulo – São Francisco foram promoção da Aeroméxico, a R$ 2.200 cada, compradas no final de junho.

– A Califórnia é um destino mais caro do que o Colorado, mas conseguimos encontrar Airbnb confortáveis e com preços menores do que os hotéis da região. Cerca de R$ 9.000, sendo que R$ 4.200 foram 5 dias em Yosemite West, com diárias a US$ 240 (mas há cabine tents a US$ 60, que precisam ser reservadas com bastante antecedência).

– Carro reservado pela Decolar. Rav4 ou similar a R$ 1.850 por 13 dias. (Os 4 dias em São Francisco andamos de Uber).

– Alimentação, gasolina, entradas em parques, museus, passeio pra ver baleias, etc: R$ 9.100

Ou seja: se vocês estiverem pelo menos em duas pessoas, ficarem nas cabines tents em Yosemite, nos outros locais escolherem hospedagens mais baratas, um carro mais barato, economizar nas refeições, dá pra fazer uma viagem dessas por menos de R$ 10 mil cada um.

 

Por que ver natureza nos Estados Unidos vale a pena

Quando você fala em Estados Unidos, as pessoas costumam pensar nas grandes cidades, restaurantes estrelados, museus, espetáculos. Claro que tem tudo isso, mas há uma parte menos famosa que tem nos maravilhado: os passeios em parques nacionais.

Os Estados Unidos têm muitas montanhas, canyons, geisers e penhascos, fauna abundante, segurança, tranquilidade e infraestrutura imbatível. Hotéis e restaurantes bons e baratos em tudo que é lugar. Gasolina barata, alugar carro é barato. Estradas perfeitas e que passam muito perto dos pontos mais bonitos. Imagine que os parques são feitos por gente que quer facilitar a vida do turista e há dinheiro para isso. Você está rodando pela estrada e pensa “que vista linda”. É bem provável que haverá um mirante ou um ponto da estrada alargado, no melhor ponto para fotografar o local.

Há muitos lugares do Brasil e dos outros países da América do Sul que queremos conhecer. Mas nas nossas pesquisas de viagem, apesar da cotação do dólar a América do Sul tem vários pontos negativos: as passagens são caras, alugar carro é caro, combustível é caro, as distâncias entre uma atração e outra costumam ser grandes, acomodação e alimentação nos pontos mais turísticos custa caro, a maioria dos parques nacionais tem uma estrutura mais precária, nada das estradas maravilhosas dos Estados Unidos. Ver os melhores pontos exige uma grande caminhada que não combina com equipamento pesado de fotografia e gente molóide como nós. Fora as questões de segurança, os riscos tanto de ser assaltado como de se perder em locais mal sinalizados, esburacados, sem sinal de celular.

Quando você soma tudo, descobre que pro tipo de viagem que a gente gosta, que é fotografia de natureza, viajar pros Estados não é muito mais caro ou pode ser até mais barato do que viajar pela América do Sul.

Quando você viaja pela América do Sul, é comum se sentir explorado nos preço de hospedagem e alimentação. Mas reconheço que os locais turísticos da América do Sul têm um problema grave: a questão da temporada. A maioria dos locais tem 3 meses de muita procura e ficam vazios o resto do ano. Já a América do Norte tem dois períodos bem fortes: verão e inverno. E mesmo na primavera e outono não é tão vazio, já que eles têm esse círculo virtuoso de infraestrutura, preços baixos, segurança que atraem visitantes o ano todo.

 

Roteiro da nossa viagem

Um tempo atrás descobrimos que graças aos voos com conexões na Cidade do México ou no Panamá, companhias como a Aeroméxico e a Copa Airlines conseguem oferecer voos baratos pra São Francisco, Los Angeles ou Las Vegas. No início do ano fomos pra Los Angeles, conhecer o Joshua Tree National Park e o Death Valley, e agora no feriado de outubro, em que o Daniel estaria com a mãe dele, planejamos uma viagem para os parques ao redor de São Francisco.

Escolhemos cinco pontos: Point Reyes, Monterey, June Lake, Yosemite e uns dias urbanos em São Francisco. Planejamos a viagem de forma a ter pelo menos duas noites em cada local (não gostamos da sensação de correria), e para não ter distâncias grandes, não ficar aquela sensação de que uma boa parte da viagem é na estrada indo de um lugar pra outro.

1ª parada: Point Reyes – tranquilidade e cenários amplos

Point Reyes fica a 1h30 do aeroporto de São Francisco. A previsão era chegarmos na hora do almoço no aeroporto, talvez fazer umas compras em São Francisco e ir no fim da tarde pra Inverness. Mas demos azar. O voo atrasou, perdemos a conexão, tivemos que passar mais de 8h na Cidade do México, pegamos um carro pra ir conhecer as Pirâmides do Sol e da Lua e no caminho fomos extorquidos por policiais corruptos que inventaram que o México exige carteira internacional de direção (é mentira, não exige), pra nos levar US$ 200 (o primeiro pedido era de US$ 800). Chegamos em São Francisco depois das 22h30, e em Inverness depois da meia-noite.

O primeiro dia de passeio começou tarde. Fomos tomar café da manhã na Bovine Bakery, em Point Reyes Station, depois fizemos umas compras no Inverness Park Market, e então fomos para o centro de informação do Point Reyes National Seashore. Perguntamos sobre aves, descobrimos que duas semanas antes havia bandos de 10 mil aves limícolas, migrando, mas já tinham ido embora. O funcionário do parque marcou no mapa uns quatro locais mais prováveis de ver fauna. Passeamos pela Shoereline Highway, paramos pra comer umas ostras no Nick’s Cove, depois fomos pra Abbotts Lagoon, uma trilha de uns 3km até a lagoa e logo depois o mar.

Mal paramos no estacionamento e vi aves de rapina no céu. Fotografei de longe. Um Red-tailed Hawk e um Northern Harrier. No computador vi que o Northern Harrier estava com algo nas garras, não é fácil identificar, mas é preto e numa foto parecem ser patas de ave. Talvez o Red-tailed Hawk estivesse tentando piratear, mas parece que não conseguiu.

Na trilha, White-crowned Sparrow, Golden-crowned Sparrow, Song Sparrow, Black Phoebe, Say’s Phoebe, Turkey Vulture, Northern Harrier ao longe. Mais perto da praia bandos de Brow Pelican, de Canada Goose, uma Great Blue Heron (tem na lista do Brasil como Garça-azul-grande), American Pipit (um tipo de caminheiro). Encontramos com um casal que nos disse ter visto lontras se alimentando de uma ave morta, mas só vimos a ave morta. Cenário bonito e tranquilo. Na volta pro estacionamento, vimos um deer (um veadinho), é um bicho bem comum. No fim do dia seguimos a estrada em direção norte, e demos uma olhada em McClures Beach, mas não fizemos a trilha, só olhamos de carro. Na volta pra casa, na estrada, um ótimo momento com um Northern Harrier. Pouca luz, um vento de gelar a alma. Logo que vimos desci do carro, depois tive que voltar pro carro. De repente o gavião desce e surge outro, era um casal. Um ótimo fim de dia.

https://en.wikipedia.org/wiki/Abbotts_Lagoon

O dia seguinte já começou com fotos. Estávamos saindo da casa Airbnb, no horário civil de 8h, o Cris apontou “o que são aqueles?”, falei “devem ser corvos”, nem dei bola. Quando nos aproximamos vimos que eram quails, um bandinho de California Quail, um bicho que eu nunca tinha visto. Elas voaram para uma árvore baixa e consegui algumas fotos. Seguimos em direção ao sul, para os lados de Chimney Rock, onde há o Elephant Seal Overlook. O funcionário do parque tinha falado pro Cris que lá era o único lugar que ele sabia que poderíamos ver uma concentração de aves naquela época. No caminho, uma boa foto de quiriquiri fêmea, e também paramos para admirar e fotografar umas árvores que pareciam saídas do filme Peixe Grande. Chegamos no Overlook quase 9h.

Graças às compras na bakery e no mercado, estávamos com um ótimo pão levin, cenouras orgânicas, blueberry, o melhor salmão defumado que a gente já comeu, manteiga, queijo, salame. Pudemos fazer uma das coisas que a gente mais gosta nas viagens, que é fazer piquenique em meio a cenários maravilhosos.

Na pequena trilha até o mirante, onde há bancos, vimos lontras na água, uma família com dois adultos e três filhotes grandes. Na pequena enseada, muitos elefantes-marinhos jovens, e uma grande movimentação de Brown Pelican, Heermann’s Gull, umas gaivotas brancas agora qual espécie não sei dizer, não arrisco, biguás (de longe também não sei dizer se eram Double Crested ou Bramdt’s), Elegant Tern, Turkey Vulture. Realmente havia muitos, mas bem de longe, como foto não havia boas oportunidades. Isso não importava porque o cenário era incrível, estávamos felizes. Quando estávamos terminando nosso café, apareceu um coiote, bem perto da gente, o Cris que viu. Eu estava olhando pra baixo guardando as comidas, ele falou “um coiote!”. Bem tranquilo. Ficou alguns segundo nos olhando, depois seguiu caminho.

Voltando pro estacionamento topamos com um casal de fotógrafos que puxou conversa com o Cris. “Viu as lontras?”, “Vi”, “A gente mora na região e venho aqui sempre. É a primeira vez que vejo lontras”. Depois fomos pesquisar na internet e descobrimos que somos sortudos, elas voltaram em 2013 e são sempre um avistamento comemorado.

Saindo do Overlook demos uma passada em Dreaks Beach, mas achamos que eram remotas as chances de topar com fauna na praia. Fomos olhar o Limantour Beach, mas era trilha, deu preguiça, e resolvemos ir almoçar e seguir para nosso segundo destino, a cidade de Marina.

 

2ª parada: Marina e Monterey. Baleias, golfinhos e um lindo aquário

Monterey era um destino que o Cris incluiu, por causa dos passeios para ver baleias e o aquário de Monterey. A cidade de Monterey é muito procurada, não havia nada de Airbnb e o que tinha de hotel era bastante caro. Optamos por ficar num Airbnb na cidade de Marina, que fica a 20 minutos de Monterey.

Chegamos em Marina no fim da tarde, descarregamos o carro e fomos ver o por do sol no Fort Ord Dunes State Park. É uma ex-área militar, e nos arredores da entrada do parque há muitos alojamentos abandonados, caindo aos pedaços. No parque há plaquinhas explicando que os militares contaminaram o solo com chumbo, cometeram o grande erro de trazer uma planta de outro país pra tentar conter as dunas, que depois se tornou uma praga, a Ice plant, que tentaram conter a erosão natural das encostas concretando (e falharam, é claro).

No dia seguinte, 6 de outubro, fomos conhecer Point Lobos. O Cris e o Daniel dão risada da minha cara, mas muitos passeios eu decido pesquisando “nome-da-cidade birdwatching”, e vejo o que aparece. No caso de Monterey, Point Lobos era um dos locais bem recomendados pra birding.

Chegamos lá umas 9h30 e fiquei chocada. Não esperava um lugar tão bonito, e fiquei pensando por que o post que recomendava Point Lobos pra passarinhar também não contava que o local é lindo demais. Será que o autor não liga pra aquele cenário, considera banal? O mar é de um azul incrível, há formações rochosas e, como é costume nos EUA, é tudo do lado da estrada. Na pesquisa do Google aparecem algumas fotos bonitas, mas eu ainda não consegui me livrar da associação de foto bonita = lugar difícil de chegar. Não nos EUA.

Ficamos um bom tempo só fotografando o cenário, depois seguimos em frente com o carro e chegamos no estacionamento no fim da estrada, que dá pra trilha da Bird Island. O parque é bem pequeno, os estacionamentos são pequenos e podem lotar com facilidade. Você paga uma taxa de algo como uns US$ 10 pelo estacionamento, por isso algumas pessoas preferem parar nas margens da estrada, mas essa taxa é importante pro parque.

Andando pela Bird Island Trail, olho pra baixo, uma minienseada cheia de focas dormindo. Uma mais linda do que a outra, de cores diferentes, pretas, marrom, brancas, cinza várias com umas marcas como se fosse padrão de tecido. Logo topamos com uma placa explicando que são Harbor Seal (focas comuns), e pedindo para não perturbá-las.

Elas estavam dormindo, a maré estava subindo e às vezes uma onda acordava algumas, que podiam se mexer um pouco pra se afastar das ondas. Ficamos 1h observando-as, e na esperança que houvesse alguma ação, mas por fim cansamos e seguimos a trilha.

O cenário do final da trilha era bem bonito, mas não tinha muitos bichos. No caminho da volta topamos com um falcão-peregrino pousado numa árvore de galhos secos. Não estava muito longe, mas o mormaço impediu fotos boas. Quando voltamos pro ponto das focas, ouvimos uma mulher dizendo que elas tinham acabado de ir embora. Fiquei muito triste em pensar que por alguns segundos não pude fotografá-las voltando pra água, ou que se tivesse ficado mais meia hora teria visto. O Cris quis me consolar dizendo que focas se arrastando pela areia nem davam fotos boas.

No caminho pro estacionamento, um bandinho de Pigmy Nuthatch, Snowy Egret, uns lagartinhos que talvez sejam Wertern Fence Lizard, Bewick’s Wren, Hairy Woodpecker, Brown Pelican.

Almoçamos na área de piquenique (há outras áreas, mas esta tem vista por mar), e decidimos sair do parque em direção à região de Big Sur, a famosa estrada costeira (Cabrillo Highway) que realmente tem cenários espetaculares. Tentamos conhecer o Pfeiffer Big Sur State Park que tem floresta de Red Woods, mas o parque estava fechado, não sei por que.

Outra indicação de local para passarinhar era a região de Carmel, mas não conseguimos encontrar exatamente a entrada, então decidimos passar o fim do dia em Point Lobos. Voltamos ao parque fomos olhar a Whalers Cove.

Em Whalers Cove pudemos ver as focas na água, mas bem de longe, no geral só um pedaço da cabeça pra fora. Pegamos uma trilha onde pudemos ver de perto várias Heermann’s Gulls pousadas, dois American Oystercatcher, alguns Brandt’s Cormorant, Western Gull, garça-branca-grande. Voltamos pra Cove, além das focas tivemos a sorte de ver uma águia-pescadora e um Belted Kingfisher macho, pescando.

Voltamos pra Bird Island Trail. No caminho, paramos no local de maré baixa, vimos caranguejos que talvez sejam Purple Shore Crab. Na trilha, Say’s Phoebe, Snowy Egret, garça-branca-grande, garça-azul-grande, os Brown Pelican tomando banho, Brandt’s Cormorant, Western Gull, uma foca nadando, e depois perto do estacionamento, uma foca bem de perto, descansado sobre as rochas.

Também consegui estragar a filmagem de por do sol de um senhor que estava filmando com celular, de longe. Passei na frente dele sem vê-lo, só percebi quando ouvi um “aaahhhh!!”. Sei que ele e a esposa me xingaram muito mentalmente, e fazendo gestos, mas tudo isso seria evitado se em vez de filmar de longe, ele estivesse na beira da trilha, onde ninguém poderia passar na frente dele.

E fim do dia.

Só consegui identificar os bichos com essa facilidade porque descobri este site que lista os bichos de um local, com fotos boas, então no geral você não precisa ficar investigando se é a espécie tal ou tal. Acho que vou participar. Na página de Point Lobos ainda não tem águia-pescadora e o martim-pescador :)

https://www.inaturalist.org/check_lists/5738-Point-Lobos-State-Reserve-Check-List?page=1

 

7 de outubro. Fomos fazer o passeio para ver baleias. Escolhemos na noite anterior pelo TripAdvisor o Monterey Bay Whalewatch, porque eles se diziam os mais ecológicos, que mais se preocupavam em não estressar os bichos. Eles têm um site antiquado, mas onde conseguimos comprar ingressos pro dia seguinte. No TripAdvisor tem algumas fotos incríveis, gente que viu baleias saltando de corpo quase inteiro.

Pegamos o passeio das 8h30. Você deve chegar meia hora antes. Há um estacionamento coberto pago uns 400m antes da marina, e um ao aro livre na própria marina. Por ignorância paramos no mais longe, e quando chegamos na área de embarque o grupo já estava reunido recebendo instruções.

Barco grande de dois andares, bem cuidado. Sensação de equipe experiente e tranquila. Logo na saída do porto vimos uma sea otter (lontra-marinha), e depois cruzamos com uma colônia de leões-marinhos. Bonitos, preguiçosos e absurdamente fedorentos.

Com uns 20 minutos de passeio topamos com a primeira baleia, uma Humpback. Vimos outras depois, mas mais distantes. O protocolo é que o barco não pode chegar a menos de 150m da baleia. A baleia, se quiser, pode se aproximar do barco, mas ao chegar o barco tem que manter essa distância. Essa circundou nosso barco, nadou pra lá e pra cá, apareceu algumas vezes (mas principalmente dorso e um pouco da cabeça, infelizmente não era um dia de saltos), e teve uma hora que ela chegou bem perto e deu aquele borrifo. Eu estava no andar de cima, só ouvi um “ooooohhhh” do pessoal do andar de baixo.

É um bicho muito bonito de se ver, mas imagino como deve ser a sensação de ver esse bicho saltar pra fora da água, deve ser de parar o coração.

Os barcos se comunicam por rádio, fora isso nosso guia disse que tinha uma dica de um amigo que morava perto de Point Lobos sobre um bando de golfinhos na região. Tá bom, um bando de golfinhos. Imaginei que poderíamos topar com uns 20 golfinhos. O barco começou a se deslocar em alta velocidade, e tivemos momentos de sentir o frio na barriga como se fosse parque de diversão, ondas grandes. Não dava medo, mas eu estava me esforçando pra não enjoar. A mãe do Daniel tinha recomendado um remédio pra enjoo, Vonau 8mg meia hora antes do passeio, mas eu esqueci o remédio no carro e não pude fazer nada além de fixar a visão num ponto do horizonte e tentar não mover muito a cabeça.

Depois de algo que parecia uma hora de tédio, com alguns poucos avistamentos de Heermann’s Gull e Common Murres, de repente nosso guia nos avisa pra olhar na direção tal e reparar no movimento da água. Um monte de pontos espirrando, borrifando. Fomos chegando mais perto, dezenas, centenas, e por fim ele calculou que deviam ter uns 2 mil golfinhos ao nosso redor, era impressionante.

Um bando enorme de Common Dolphin. Ele disse que até uns anos atrás eles não costumavam aparecer naquela região, subiam no máximo até São Francisco, mas que talvez o aquecimento global estivesse favorecendo um fluxo de alimento pra eles naquelas águas perto de Point Lobos. Eram muitos, saltando bastante, nadando bem próximos à superfície, muitos chegaram bem perto do barco, estávamos no meio deles.

Lindos. E quando apareceu a voz do guia (um típico garotão californiano, tranquilo), com o microfone, falando coisas como “vocês já viram aqueles documentários incríveis da BBC sobre vida selvagem… aproveitem, vocês estão vivendo um deles”, pensei que era uma frase marketeira mas não falsa.

Eram lindos de ver, mas difíceis de fotografar com a tele. Ainda mais porque você não sabe qual o momento que eles vão saltar pra fora da água, você podia ver os que estavam rentes à superfície e testar seus reflexos.

Outra grande dificuldade: o barco balançava muito, eu estava debruçada na amurada, ajoelhada no banco de ferro, com os cotovelos no lado de fora da grade apoiados pra eu não me desequilibrar, e tentando fotografar.

Mas aí já foi abuso demais pra minha motion sickness. Depois de uns minutos não aguentei, me senti suando frio, segui as instruções que tínhamos recebido no início do passeio. Desci as escadas e fui pro fundo barco vomitar. Ao meu redor, várias pessoas pálidas ou meio esverdeadas, como eu devia estar. Sentei no banco e antes de dormir (provando que consigo dormir em qualquer lugar), ainda pude ver aquela cena linda de tantos golfinhos saltando, eu com os olhos semicerrados pensando “como isso é lindo”. E também o tragicômico de ver uns vômitos voadores: gente que se debruçava na lateral do barco, em vez de no fundo total, e o barco já voltando em alta velocidade fazia com que aquela macha esbranquiçada flutuasse um pouco, como se estivéssemos no espaço. Um deles quase ou talvez tenha acertado uma moça, que passou um bom tempo olhando braços e pernas pra ver se tinha respingado algo, enquanto a autora do vômito pedia muitas desculpas.

Acordei quando já estávamos quase chegando, me sentindo 100% de novo.

Mesmo tendo passado mal assim, adorei o passeio e faria de novo. Custa US$ 49 por pessoa, tem quase todos os dias. Há um passeio que dura o dia todo, sai acho que uma vez por semana. O site deles é terrível, mas o serviço é bom: http://www.gowhales.com/trips.htm

 

Por causa do horário, decidimos não almoçar na região do porto e seguir direto pro Aquário de Monterey.

Monterey Aquarium é uma atração famosa. O aquário é mesmo muito bem estruturado. As partes de que mais gostamos foram as salas escuras com águas-vivas e outras criaturas estranhas, a sala com polvos, lulas, sépias. Flamboyant cuttlefish é uma loucura, um dos bichos que mais muda de cor rapidamente, pequeno, e venenoso, dizem que pode matar uma pessoa. Também gostamos muito de ver as jovens enguias, semi-enterradas, e os tanques bem grandes, iluminados pela luz do sol, com centenas de peixinhos prateados, arraias e tubarões. Tentamos ver a alimentação das lontras-marinhas, mas era do tipo que a apresentadora é chata demais, com aquele tom de voz que dá vontade de chutar a pessoa. Abandonamos.

O aquário fecha às 17h. A entrada custa US$ 49 (é estranho pensar que é o mesmo preço do passeio das baleias), mas vários Airbnb oferecem entrada grátis, foi o que fizemos. Não se preocupe, não é nada ilegal, são pessoas que compram os passes anuais de US$ 300 que dão direito a entradas ilimitadas e entradas para dois convidados.

Saímos do aquário, fomos devolver nossos passes para o dono, depois pegamos estrada e dormimos em Los Banos, uma cidadezinha no caminho para June Lake.

 

3ª parada: Mono Lake, Bishop, June Lake

June Lake foi escolha minha. Estávamos procurando algum lugar não muito longe de Yosemite, e li que Mono Lake, perto de June Lake, tinha cenários bem bonitos e muitas aves.

Esse também foi um ótimo trecho da viagem, mas não pelos motivos imaginados. Pra começar, espetáculo das aves é na primavera, no verão, e pro outono estávamos atrasados, os grandes bandos tinham passado duas semanas antes. Se você pesquisar Mono Lake na internet verá relatos dizendo que é excelente pra birdwatching, mas só na época certa. No dia 9 de outubro já estava bem vazio, ainda com aves, mas longe, no centro do lago.

Mono Lake

Chegamos em June Lake no fim do dia, direto pra região de Mono Lake Tufa State Reserve. Interessante, mas não impressionou. American Avocet, Brewer’s Blackbird, Ruddy Duck, umas belas borboletas monarcas. Já voltando pro carro, sem luz, tive um momento especial. Alguns Savannah Sparrow e Mountain Bluebirds. Foi legal porque andando na trilha, o local parecia vazio. Mas percebi um movimento, dei alguns passos pro lado e comecei a ver esses pequenos. Ao longe, um Northern Harrier. As pessoas andavam pela trilha e vi que só eu reparava nessas aves, como se estivesse em outra dimensão. Eles não permitiram muita aproximação, e já não tinha luz, mas foi um bom momento.

June Lake é uma cidadezinha bem simpática, e nosso motel era ótimo. Quarto grande, aconchegante e com aquecimento no piso, e uma cozinha equipada por alguém que fez aquilo com amor. Tinha panelas grandes, tábuas, facas afiadas, escorredor grande de macarrão, batedor de claras.  Logo atrás do hotel ficava a June Lake Brewing, cervejas artesanais excelentes. E na frente do nosso motel tinha um outro hotel, onde estava rolando uma apresentação de blues. Adoramos o ambiente da cidade, e ainda nem tínhamos conhecido o June Lake Loop.

A cidade de Mammoth Lakes não vale a pena

Chegamos num sábado, e no caminho passamos por Mammoth Lakes. Pelo Yelp dava pra ver que Mammoth tinha mais opções de restaurantes, então resolvemos pegar meia hora de estrada e ir jantar lá. Mas era um sábado, e mesmo fora de temporada isso traz problemas. Os dois restaurantes mais bem recomendados estavam com espera. Desistimos, passamos num mercado, compramos um espaguete e jantamos um carbonara.

Mammoth Lakes é um destino pra esquiar, então tem esse ar de cidade de esquiadores. Achamos meio besta, gostamos mais de June Lake.

 

Bristlecone Pine Forest

No dia seguinte, 9 de outubro, fomos pra cidade de Bishop com dois objetivos. Conhecer algumas das árvores mais velhas do planeta e ver a galeria do saudoso Gallen Rowell.

Apesar das sequoias serem mais vistosas e famosas, elas não são as árvores mais velhas do planeta. Até 2013 a árvore não-clonada (há espécies de árvores que se clonam há quase 10 mil anos) mais velha ficava nesse parque, o Ancient Bristlecone Pine Forest. Methuselah (Matusalém) tem 4.845 anos. Ela é mais velha do que as pirâmides do Egito. Em 2013 foi anunciada a descoberta de uma outra árvore desse tipo, com 5.062 anos. A sequoia mais velha (Washington) tem mais ou menos 2.850 anos. http://www.livescience.com/29152-oldest-tree-in-world.html  e http://www.monumentaltrees.com/en/trees/giantsequoia/california/.

Matusalém é a famosa, mas pra vê-la é preciso pegar uma trilha de 7km, algo que a 3.000m de altitude estava impossível pra gente. Pegamos a menor trilha, a Discovery, com 1,5km e já foi difícil. Mas valeu a pena, as árvores são realmente incríveis. Elas não são majestosas como as sequoias, tanto que foi só no fim da década de 1950 que começaram a descobrir que essas árvores baixinhas, de tronco todo retorcido são tão especiais. As mais longevas são aquelas que crescem nos terrenos com menos recursos. Elas se tornam mais resistentes a pragas, incêndios, e vivem mais. As que crescem em terrenos com mais nutrientes vivem menos. Contei isso pra minha sogra, que falou “é igual gente”.

Apesar do parque ficar a 2h de June Lake, é um passeio que vale a pena. Dá uma sensação de reverência poder observar e fotografar essas árvores tão especiais. Ao redor do centro de visitantes (que foi destruído por um incêndio proposital em 2008, mas logo reconstruído), fotografei alguns chipmunks que acredito serem Least Chipmunk e Alpine Chipmunk, Mountain Chickadee, Clark’s Nutcracker.

Saímos do parque e fomos pra cidade de Bishop ver a galeria Gallen Rowell, um dos fotógrafos favoritos do Cris. Gallen Rowell morreu com 61 anos, num acidente de avião, quando voltava de um workshop no Alaska. Ele tem fotos muito bonitas mesmo, que não ficaram datadas.

Em Bishop destaco o Mahogany Smoked Meats. Conhecemos porque estávamos olhando o Yelp, algum lugar pra almoçar. A fila dos lanches estava imensa, então só pegamos coisas do balcão. Mas depois descobrimos que era o melhor bacon que já comemos, defumado duas vezes, e um excelente peito de frango defumado. Recomendo.

 

June Lake Loop

Na volta pra June Lake passamos por uma estradinha que o Cris tinha lido que estava com cores bonitas de outono. Muitas aspens bem amarelas, bonito mesmo.

Dia 10 saímos do June Lake Motel com as malas, e fomos rodar pelo June Lake Loop. Que lugar maravilhoso. Cenário montanhoso, as cores dos aspens e de outras árvores que iam ficando laranja, avermelhadas.

Depois paramos num local com água. Não tenho certeza, mas acho que era Silver Lake. Se não for Silver Lake, era Gull’s Lake, os dois são próximos. Da estrada, dava pra ver que estava coalhado de aves, mas quando chegamos perto, vimos que eram principalmente American Coot, alguns Mallards e algumas garças. De aves não tinha fotos especiais, mas o local era lindo demais e passamos um bom tempo por lá aproveitando o cenário.

Nos despedimos de June Lake e voltamos para Yosemite (Los Banos – June Lake fizemos por dentro do parque, pela Tioga Road). Chegamos em Yosemite West no início da noite.

 

4ª parada: Yosemite

Na viagem pro Colorado em julho de 2015 reservamos só 3 dias pra Rocky Mountain, porque ficamos com medo das histórias de parques lotados no verão. Mas nos arrependemos, queríamos ter tido mais tempo lá. Decidimos que esses parques famosos merecem mais tempo, então reservamos cinco noites pra Yosemite.

Já escrevi bastante sobre Yosemite, então vou resumir: vale muito a pena, tente se hospedar no vale, nas tent cabins, que são barracas com cama e chão. Dizem que são bem confortáveis, mas você precisa reservar com bastante antecedência. Ficamos hospedados em Yosemite West, que fica a meia hora do vale. Tem gente que fica em Mariposa, que tem acomodações mais baratas, mas fica a 2h do vale.

O vale é realmente o ponto mais incrível do parque, com suas formações rochosas como o El Capitan, a Catedral. Além disso, tem um mercado melhor do que os da cidade de Bishop.

Além do vale, gostamos muito do Tunnel View, Glacier Point, de Tenaya Lake e Olmstead Point, esses dois na Tioga Road. Nos arredores do Olmstead Point há pinheiros incríveis, um deles era como um bonsai, maravilhoso. Bem baixinho, menos de 1,50m, mas com um tronco largo, acho que mais de 70cm.

Nos arredores do Nature Center, perto da Trailhead Parking tem um caminho que no mapa está escrito “Horse Trail only”, mas que fora do verão parece não haver impedimentos. Foi uma trilha bem agradável, onde pudemos observar um casal de Pileated Woodpecker, inclusive um momento em que um falcão atacou um dos pica-paus. Foi muito rápido, só vi. Alguma chance de ser o Red-shouldered Hawk, o pedaço que vi das asas e do rabo lembra.

Mariposa Grove é um dos melhores locais para ver sequoias, mas está fechado pra reforma. Então fomos conhecer Tuolumne Grove, que exige uma caminhada com um desnível de 150m em 1km. (É incrível como eles colocam placas explicando tudo). Um pouco cansativo na volta, mas nada grave, e o passeio vale mesmo a pena. Há umas cinco sequoias maiores e mais vistosas, mas você não pode tirar aquelas fotos abraçado com a árvore. Eles cercaram (uma cerquinha de 30cm), e pedem para não ultrapassar, porque acreditam que o fluxo de muitas pessoas sobre as raízes, que são relativamente rasas, pode prejudicar a árvore.

Algo que eu não esperava das sequoias é o tamanho das pinhas, mas até que faz sentido. Uma árvore que chega a mais de 80m não precisa provar nada pra ninguém. As pinhas são pequenas, acho que uns 8cm. Adoraria ter trazido uma pra casa, apesar da plaquinha com o desenho de uma pinha e o símbolo de proibido, mas se eu tivesse topado com uma numa área fora das cerquinhas, teria surrupiado. Mas todas que vi estavam dentro da área com a tal cerquinha de 30cm, e isso eu não tinha coragem de fazer.

Os cenários de Yosemite são imbatíveis. Mas não achei fácil o avistamento de fauna, não como em Yellowstone, Rocky Mountain. Talvez porque a maior parte seja áreas florestais, onde os bichos são mais tímidos? Nesses dias em Yosemite registramos: Steller’s Jay, Common Raven, quatro espécies de pica-pau (Pileated Woodpecker, Downy Woodpecker, White-headed Woodpecker, Northern Flicker), Brown Creeper, Golden-crowned Sparrow, Red-brestead Nuthatch, Dark-eyed Junco, Spotted Towhee, Black Phoebe, Fox Sparrow, Golden-crowned Kinglet, Swainson’s Thrush. Dos mamíferos: Lodgepole Chipmunk, California Ground Squirrel, Wetern Gray Squirrel, Dougla’s Squirrel, Mule Deer.

 

5ª parada, destino final: São Francisco

Saímos de Yosemite no dia 15. Ainda passeamos pela manhã, e depois pegamos estrada pra São Francisco. Chegamos na cidade sob chuva. Ficaríamos hospedados os próximos 4 dias num quarto Airbnb, uma garagem reformada com quarto espaçoso, banheiro, uma minicozinha, na 15th avenida, perto da Golden Gate.

No dia 16 fizemos programas urbanos. De manhã andamos um pouco pelo nosso bairro, cheio de restaurantes e lojas orientais. Experimentamos algumas, entramos numa livraria, mas a chuva não parava, então fomos conhecer o Museu Asiático. Bonito, impressionante, com um restaurante ótimo, comi uma sopa tailandesa deliciosa. Depois fomos pra REI, onde comprei umas roupas de trilha, e voltamos pra casa.

Vocês acham que só porque chegamos numa cidade grande deixei a câmera de lado? No dia 17 fomos pro Presidio National Park. Bem perto da nossa casa, 10 minutos de carro. Minhas pesquisas de sempre indicavam que El Polin Spring era o melhor local pra passarinhar no parque. Talvez por ser um dia de sol depois de alguns dias de chuva, tinha muita atividade, mesmo chegando umas 10h30. Anna’s Hummingbird, Fox Sparrow. White-crowned Sparrow, Songsparrow, Housefinch, California Towhee, Black Phoebe, Chestnut-backed Chickadee, Yellow-rumped Warbler, Scrubs Jay, Pigmy Nuthatch e um casal de Lesser Goldfinch que deu um espetáculo. Estava andando devagar pelo caminho, olho, eles estão lá pousados a menos de 4m, comendo umas florzinhas. Não se importaram com minha presença e continuaram. Maravilhosos.

Fomos andando pelo parque em direção à área de banhado, e topamos com mais Anna’s Hummingbird, Townsend’s Warbler. Em Crissy Field Marsh, Killdeer, Marbled Godwit, Willets, Long-billed Curlew. Na trilha no caminho pra casa, Dark-eyed Junco.

Depois de toda essa festa, no dia seguinte eu quis voltar lá. Não consegui sair em horário passarinheiro, de novo cheguei perto das 10h. Dessa vez fui sozinha, o Cris precisava ficar na casa a espera de uma encomenda da Amazon – o lado ruim de ficar em Airbnb.

Cheguei em El Polin Spring e não tinha mais festa. Anna’s Hummingbird, White-crowned Sparrow, Song Sparrow, mas poucos. Em compensação, dois ótimos rapinantes: um Cooper’s Hawk jovem, pousado baixo, acostumado com o movimento. Depois vi no Google que ele é famoso, muita gente o fotografa por lá, ou seja, há uma família de Cooper’s Hawk que se sente à vontade em El Polin. E também tive minhas melhores fotos de Red-tailed Hawk, voando relativamente baixo.

Voltei a pé pra casa, uns 50 minutos andando. Cheguei na hora do almoço. Passamos o resto do dia de molho, esperando a tal encomenda que precisava de assinatura, um notebook pro Daniel. Chegou mais de 19h. Saímos logo em seguida porque tínhamos reserva no Kusakabe, nosso único jantar caro da viagem. Foi caro mas valeu a pena, encerrando a viagem com grand finale. No dia seguinte pegamos o voo de volta pro Brasil.

Por enquanto vou só colocar as fotos de natureza, talvez daqui a um tempo consiga falar do Museu Asiático, e colocar fotos, e falar dos restaurantes.