Coordenadas GPS dos principais pontos, informações sobre alimentação, hospedagem, locomoção, noção de custos

  • Texto: Claudia Komesu
  • Fotos: Claudia Komesu e Cristian Andrei. Câmeras: Nikons D800, Nikkor 300 f4, Nikkor 300 2.8, teleconverters 1.4, 1.7 e 2.0, Olympus TG 3, Fuji X-E1, Iphones

Em 2015 decidimos ir pra Espanha. Depois de ler bastante sobre o país optamos por dois objetivos: passarinhar um pouco na Extremadura, a região mais selvagem e pobre do país, e conhecer um pouco das cidades com maior herança moura: Granada e Cordoba. E também fomos pra Madrid e Sevilha. Este post fala dos dias na Extremadura, e nossa passagem pela Sierra de Gredos, Vale do Jerte e Laguna de Fuente de Piedra. Este é o post para falar da parte urbana, este para os restaurantes.

A Extremadura é uma região de solo infértil, no sudoeste da Espanha, quase na divisa com Portugal. Seu principal parque, Monfragüe, quase virou um imenso eucaliptal na década de 1970, mas os ambientalistas conseguiram reverter a situação e em 1979 foi criado o Parque Monfragüe.

Pra nossa sorte o solo da Extremadura não serve para agricultura. Mas os insetos, as flores e as aves adoram, e por isso a região é considerada uma das mais famosas para o birdwatching Europeu.

Extremadura

 

Destaques passarinheiros da Extremadura

O Great e o Little Bustards. Aves de planície, como se fossem inhambus destemidos. O Little Bustard pesa menos de 1kg, o Great pode pesar 16kg (e ainda voa). São relativamente comuns e fáceis de ver – um pontinho claro no meio do pasto, ao longe, às vezes no meio dos bois. Para ver de perto, e conseguir aquelas fotos lindas dos machos em display, é preciso passar o dia num hide. E passar o dia significa passar o dia inteiro. Não pode cansar e ir embora, não pode conseguir foto e ir embora – sob o risco de atrapalhar a vida dos Bustards, e até fazê-los abandonar aquela área. Escolhemos não procurar os guias que te levam pra esses hides, mas conseguimos fotografar as duas espécies, de longe, várias vezes. Nas estradas ao redor de Trujillo.

As aves de rapina: A região de Monfragüe é um dos poucos lugares no mundo em que você provavelmente conseguirá avistar o Black Vulture (Aegypius monachus). Homônimo em inglês do nosso urubu-de-cabeça-preta, não é a mesma espécie, e sim um dos maiores rapinantes do mundo, chegando a 2,85m de envergadura. Vimos várias vezes em voo, três pousados no chão comendo algo, um pousado numa árvore relativamente próxima.

Em Monfragüe também há um grau razoável de certeza de ver a Spanish Imperial Eagle, outro bichão, de 85cm e até 2,10m de envergadura. Um casal costuma fazer ninho em uma árvore em frente ao Mirador Portilla del Tiétar. Esse Mirador possui uma rocha grande, linda, que também é um ponto de encontro para muitos Griffon Vultures, Egyptian Vulture e outros rapinantes. Vimos um que provavelmente era uma Short-toed Eagle. Mas é preciso dizer: você os verá ao longe. O ninho fica do outro lado de um pequeno rio, é ótimo pra lunetas, mas pra foto fica bem recortado.

A área ao redor do Mirador também é um bom lugar para procurar passarinhos. Fica na beira de um rio, você pode andar pela estrada observando as árvores.

Muitos Griffon Vultures moram nos paredões do Castelo de Monfragüe. Um bom lugar para fotografá-los de perto.

Nas estradas ao redor de Trujillo há um ponto em que Lesser Kestrels (parente do nosso quiri-quiri) adotaram como ninhos. Há dezenas de caixinhas de concreto, colocadas em postes para serem ninhos de aves. Boas fotos por lá.

Gralhas: A Extremadura também é lar de uma espécie endêmica de gralha, a Azure-winged Magpie. Até há pouco tempo pensava-se que era uma espécie com uma distribuição maluca: apenas nesse pedaço da Europa… e na China. Mas a genética mostrou que são duas espécies diferentes, provavelmente separadas há muito tempo, antes de uma das últimas eras glaciais. Há a Jay, (Garrulus glandarius), muito bonita, mas desta vez só vimos de passagem. Outra gralha, bem comum na Europa toda, é a Magpie (Pica pica).

Fomos ver uma colônia de Bee-eaters (Merops apaster), perto da cidade de Botija. E também vimos a colônia de flamingos em Fuente de Piedra. Incrível a quantidade de flamingos nidificando, pareciam ser milhares. Nesse mesmo lugar também havia muitos Coots (um frango d´água), Black-winged Stilt (um pernilongo), Whiskered Tern (um talha-mar), e alguns maçaricos.

Passarinhos diversos, inclusive alguns bem comuns e muito coloridos, como os Tits, o Serin e o Robin.

Foi uma viagem de 13 dias, mas só 4 foram dedicados pra passarinhar. Nos outros fizemos passeios urbanos, principalmente museus e construções famosas de Córdoba, Granada e Sevilha. As cidades têm muitas áreas verdes e seria tranquilo passarinhar na área urbana – se tivéssemos pique pra isso.

Pra ver mais aves, este é um site legal que mostra ilustrações de 175 espécies de aves da Extremadura: http://www.birdinginextremadura.com/viajar/birding/pt/extremadura-aves/lista-de-especies/

Outros bichos

Vimos uma raposa, só uma ao longe. Passamos por uma região com cartaz “cuidado, passagem de lontras”, mas não vimos as lontras. Infelizmente o único pequeno lagarto que vi foi um atropelado, uma hora que paramos o carro. Até fiquei pensando se foi a gente que tinha atropelado, mas ele estava com uma mosquinha em cima, era mais antigo. Também vimos um grupo de veados, fêmeas e jovens, na região que foi o início do eucaliptal, mas que hoje já foi todo retirado, e agora conta com mudas de carvalho em desenvolvimento. Vimos o que pareciam ser cágados, na área da colônia dos Bee-eaters, e consegui fotografar um deles.

Na Andaluzia também há uma pequena chance de ver o lince-ibérico, o felino mais ameaçado de extinção no mundo. Estima-se que haja menos de 200 na natureza, principalmente na Espanha. Há 20 anos havia mais de 4 mil.

Coordenadas GPS dos nossos principais pontos

Usei um aplicativo chamado Maps.me. Além de ser mapa off-line (mais informações no item “Locomoção”), ele também permite marcar pontos favoritos.

– Colônia de bee-eaters perto da cidade de Botija: http://maps.me/ge0?latlonzoom=0n2_ubGlx0&name=Bee-eaters

– Mirador Portilla del Tiétar, o melhor ponto pra rapinantes em Monfragüe: http://maps.me/ge0?latlonzoom=0n8XYr4QAI&name=Ninho_%C3%81guia_Imperial_E_Passarinhos_Beira_Rio

– Um dos lugares que vimos o Great Bustard. Mas nessa região, na estrada entre Cáceres e Trujillo (pegar a estrada lateral, não a rodovia principal), há várias estradas menores, saia em qualquer uma delas, pare pra observar as planícies, há boa chance de vê-los. Terreno descampado, regular, se tiver bois, mais chances ainda. http://maps.me/ge0?latlonzoom=8n8VD7oFz-&name=Great_Bustard

– Aqui vimos os Lesser Kestrels nos ninhos de concreto alemão, que provavelmente vão durar pra sempre: http://maps.me/ge0?latlonzoom=8n8VD5sBTJ&name=Kestrel. Na cidade de Trujillo também é possível vê-los, especialmente perto da arena.

– Aqui um ponto possível para pintail sandgrouse, mas não vimos, os ingleses disseram que tínhamos acabado de perder uma em voo indo embora: http://maps.me/ge0?latlonzoom=4n8VNQ-rpW&name=Pintail

– Sierra de Gredos: http://maps.me/ge0?latlonzoom=0n9I5I2FDz&name=Bar_De_Gredos_-_Coscor%C3%A3o esta é a coordenada do Bar de Gredos, na cidade Hoyos del Espino. Nesse bar comi meu melhor coscorão. Depois fomos pro “La Plataforma”, a uns 12km da cidade. É o último ponto onde você pode parar o carro. Lá você estaciona, e de lá saem várias trilhas entre paisagens rochosas. Nessa época ainda dá pra ver neve. Chegamos lá à tarde, mas ainda vimos umas 4 espécies de passarinhos, além de um bando de cabras-montesas: http://maps.me/ge0?latlonzoom=wn9IwlUnNa&name=La_Plataforma. A paisagem é linda, vale a pena.

– Ninhal de Flamingos, um dos maiores da Europa, na cidade de Fuente de Piedras. Além dos flamingos, maçaricos, pernilongos, talha-mares, andorinhas caçando baixo: http://maps.me/ge0?latlonzoom=8n3DkqsaBM&name=Flamingos_Ninhal_Fuente_De_Piedra

– Rio Almonte no amanhecer, um pouco antes das 8h, na estrada entre Torrejon el Rubio e Trujillo: http://maps.me/ge0?latlonzoom=sn8V4lnMhm&name=Rio_Amanhecer_Encantado

Pra quem se interessa por trekking, por acaso topei com este site, parece bem interessante: http://www.wikirutas.es/rutas/Castilla_y_Leon/avila/

Diferenças de passarinhar no Brasil e na Espanha (e provavelmente outros países da Europa)

– Há muito mais birdwatchers, em geral com lunetas.

– É comum aparecerem três carros, de onde saem mais de 10 birders com lunetas.

– É comum haver 10 a 15 birders com lunetas em frente aos pontos principais.

– Eles não tentam se aproximar muito das aves, porque o objetivo é observar, não fotografar. E não querem perturbar as aves.

– Quem quer tirar fotos de pertinho, tem que passar o dia no hide.

– Você encontra muita informação na forma de livros com roteiros. Por exemplo, por indicação do Fabio Olmos compramos o guia da Extremadura da Crossbill Guides (http://www.crossbillguides.com/extremadura). Região, fauna, flora, e roteiros de onde passarinhar. Na internet há vários Trip Reports. Nos sites há muita informação sobre os locais, inclusive diversos blogs de pessoas que observam e fotografam a região e publicam relatos constantes do que elas têm visto. Basta digitar “extremadura birdwatching”.

– Você se sente seguro e tranquilo o tempo todo.

– Eles não usam playback. Seu guia não deixará você tentar se aproximar muito da ave, para não perturbá-la.

– As estradas são ótimas, há pouco tráfego, a distâncias regulares você sempre encontra um posto, um café ou uma lanchonete.

Guia ornitológico

Contratei o José, dono da Casa Babel, para ser nosso guia no primeiro dia. Ele oferece três roteiros, escolhemos o das aves de planície. http://www.casababel.es/en/birding-extremadura

José mora em Cáceres, estava na Casa Babel na hora que chegamos para nos receber. No dia seguinte nos encontramos em Trujillo, deixamos nosso carro lá e fomos no carro dele, um utilitário tipo Kangoo. Uma das coisas legais do carro era um crominho no carro dizendo que ele havia recebido 4 mil euros do programa de apoio ao turismo, para ajudar a comprar aquele carro. José tinha uma boa luneta e também binóculos de sobra.

Pegamos a estrada lateral à rodovia principal, é a estrada secundária entre Trujillo e Cáceres. Nosso roteiro foi bem parecido com o que estava descrito na Rota 5 do guia da Crossbill.

José sabia os locais mais prováveis onde ver os Bustards, e vimos o Great e o Little, e também vi de longe, voando indo embora, uma Black-bellied Sandgrouse. José também nos levou numa área em que havia várias casinhas de concreto, pregadas em postes, especialmente para aves. Vários Lesser Kestrels faziam ninho lá. Vimos também um casal de Sardinian Warbles, álguns Partridges –  um tipo de codorna mais colorida, (a única ave silvestre que pode ser caçada na Espanha), vários Black Kites e cegonhas, Larks e Buntings.

Passamos pela cidade de Santa Marta de Magasca.

No caminho de volta a Trujillo vimos três Black Vultures no chão, comendo alguma carniça.

Quando chegamos a Trujillo, não sabíamos se íamos almoçar e continuar o passeio, ou se tinha acabado. Nossa impressão é que o José também decidiu na hora que tinha acabado, que havíamos visto as aves principais de planície. Talvez em outros casos ele fique uma parte da tarde também com a pessoa, não tenho certeza, se você decidir contratá-lo é melhor perguntar. Esse tour privado saiu por 100 euros.

Nossas impressões sobre o guia

Foi a primeira vez que contratamos um guia na Europa. Não sei se todos são assim, mas o que vimos de diferenças com o Brasil:

– Não usou playback, não tentou se aproximar muito das aves. Pelo menos nesse roteiro foi um estilo de saber onde são os locais mais prováveis para se procurar as aves, parar o carro, pegar o binóculo e vasculhar o local.

– Não sei como é a questão de audição, não tivemos muita oportunidade de experimentar, talvez nos outros roteiros, o de Monfragüe, ele use mais a audição. Mas sabemos que os gringos não são a favor de playback para atrair as aves

– Não achei o José tão bom pra localizar aves enquanto está dirigindo (é que muitos guias brasileiros conseguem dirigir, conversar com você, e ainda percebem qualquer movimento). Na volta pra Trujillo fui eu que fiz a gente parar pelos Black Vultures, que eu nem sabia que eram eles, só vi que uns bichos muito grandes no chão. E teve um campo que a gente parou pra olhar, e fui eu que vi primeiro uns bichões, que pareciam ser Great Bustards, falei “acho que tem vários Great Bustards ali”, ele falou “não, é uma cegonha” – porque estava vendo outra coisa, falei “não, não é cegonha”.

– Não estou falando pra me vangloriar, mas como informação caso um birder brasileiro queira contratá-lo. Com um bom guia brasileiro raramente você vê algo que ele não viu, e ele costuma ver muito mais rápido que você. Black Vultures e Great Bustards são bichos muito grandes. Eu ter visto antes do José nos fez pensar que provavelmente o José ainda não é um guia muito experiente – ou que talvez os guias europeus não tenham o estilo de ficar antenados o tempo todo, e sim parar para olhar áreas específicas. Achamos que valeu a pena ter contratado-o para o primeiro dia. O roteiro que fizemos estava descrito no Crossbill, mas era nossa primeira vez na Espanha, sair com um guia nos deixou mais seguros para rodar sozinhos.

– O José foi muito simpático e atencioso com a gente. Zeloso com segurança, se íamos pro asfalto, ele mandava a gente por o cinto “cinturon”. O Cris fala espanhol, então eles conversaram em espanhol a maior parte do tempo. O José também fala inglês. Mas acho que daria pra se virar, mesmo que a pessoa não soubesse espanhol ou inglês.

Na Casa Babel também estava hospedada uma alemã, passarinhando sozinha há 8 dias. Ela havia pegado dias de chuva, frio, não havia visto os Bustards, havia feito vários roteiros descritos nos livros mas não achou nenhum muito compensador. Ela me explicou que talvez fosse só porque ela tinha muitas expectativas por aquelas férias na Extremadura… Sei que o clima interfere muito, mas fiquei pensando se seria diferente caso ela tivesse contratado o José logo no primeiro dia, mesmo que fosse só um dia.

Nós pegamos céu azul todos os dias, e gostamos muito de passarinhar na região. Mas quando fomos pro Sul da França em 2013, pegamos chuva e “ventos violentos” nos dias que reservamos para passarinhar na Camargue, e vimos poucas aves fora flamingos e andorinhas. No nosso último dia de viagem, trocamos uma tarde urbana por mais umas horas na Camargue, o tempo havia mudado, e vimos muito mais passarinhos, mesmo não sendo de manhã.

Se for passarinhar sem guia

Esteja sempre com passaporte e carteira de habilitação.

Não pare em locais proibidos, não invada cercas, não ultrapasse lugares com uma plaquinha branca e preta, dividada na diagonal, é o símbolo de “não ultrapassar”. Na Europa o pessoal pode ser bem zeloso sobre essa questão de invasão de propriedade. No Sul da França o Cris foi xingado por um homem que o viu andar uns metros perto da plantação dele de papoulas, isso porque ficava na beira da estrada e nem tinha cerca.

É claro: pra passarinhar, evite rodovias, olhe no mapa e procure as estradas laterais, menores, em que há mais chance de haver estradas de terra ou um cantinho para encostar o carro.

Muitas estradas não têm acostamento. Conforme-se em não poder parar. É verdade que paramos numa ponte, a tal do Amanhecer Encantado, mas estava amanhecendo, nos 20 minutos que ficamos lá só dois carros passaram pela gente, e a ponte era larga, então acho que foi perdoável. Não faríamos isso numa estrada movimentada.

Teve uma hora que tínhamos parado para ver Bustards, num local sem acostamento oficial, mas em que havia espaço de terra para tirar o carro da pista, estávamos estacionados sem atrapalhar o trânsito numa estrada com pouco movimento. Apareceu um carro de polícia e pediu pra ver a documentação do José. Não pediram nada nosso, só perguntaram pra ele se éramos turistas. Também não falaram que não podíamos estar parados ali. O José disse que não é comum a polícia parar, e falou que eles fizeram isso porque deviam estar entediados.

Mesmo não sendo comum a polícia parar, e mesmo sabendo que eles reconhecem birdwatchers, nunca dê motivo pra levar bronca ou ser autuado.

Por favor, nem pense em invadir uma área de campo pra tentar chegar mais perto de um Bustard ou de outro bicho, respeito os limites da cerca e o costume local de perturbar o mínimo possível.

Se for usar playback, lembre-se que muitos birders gringos não acham correto. Pense duas vezes antes de usar na frente de outros birders. E considere não usar. Na Mata Atlântica e na Amazônia, há muitos bichos que você nunca veria se não fosse pelo playback. Nas áreas abertas da Europa ou dos Estados Unidos, que tal passarinhar de outro jeito?

Mais de 70 espécies de aves avistadas em 4 dias de passeio (mas não inteiramente focados – teve dias de rodar bastante por estradas, de ir atrás de presunto cru, de só querer olhar a paisagem). Mesmo assim conseguimos fotos de mais de 60 espécies, mas considero fotos bem razoáveis-boas menos de 30 espécies, as com asterisco.

Alectoris rufa Red-legged Partridge*
Anas crecca Common Teal
Anas platyrhynchos Mallard
Upupa epops Eurasian Hoopoe
Merops apiaster European Bee-eater*
Psittacula krameri Rose-ringed Parakeet
Apus pallidus Pallid Swift
Columba livia Rock Dove
Columba palumbus Common Wood-Pigeon
Streptopelia decaocto Eurasian Collared-Dove
Otis tarda Great Bustard
Tetrax tetrax Little Bustard*
Fulica atra Common Coot
Pterocles alchata Pin-tailed Sandgrouse
Pterocles orientalis Black-bellied Sandgrouse
Actitis hypoleucos Common Sandpiper*
Limosa limosa Black-tailed Godwit
Tringa glareola Wood Sandpiper
Tringa nebularia Common Greenshank
Himantopus himantopus Black-winged Stilt*
Recurvirostra avosetta Pied Avocet
Chlidonias hybridus Whiskered Tern*
Larus fuscus Lesser Black-backed Gull*
Larus ridibundus Black-headed Gull*
Aegypius monachus Black Vulture*
Aquila adalberti Spanish Imperial Eagle*
Buteo buteo Common Buzzard
Circaetus gallicus Short-toed Snake-Eagle*
Circus aeruginosus Western Marsh-Harrier
Gyps fulvus Griffon Vulture*
Hieraaetus pennatus Booted Eagle
Milvus migrans Black Kite*
Neophron percnopterus Egyptian Vulture*
Falco naumanni Lesser Kestrel*
Ardea cinerea Grey Heron
Bubulcus ibis Cattle Egret
Nycticorax nycticorax Black-crowned Night-Heron
Phoenicopterus ruber Greater Flamingo*
Lanius collurio Red-backed Shrike
Lanius senator Woodchat Shrike*
Corvus corone Carrion Crow*
Corvus monedula Eurasian Jackdaw
Cyanopica cyana Azure-winged Magpie
Garrulus glandarius Eurasian Jay
Pica pica Black-billed Magpie*
Pyrrhocorax pyrrhocorax Red-billed Chough
Erithacus rubecula European Robin*
Phoenicurus ochruros Black Redstart
Saxicola torquata Common Stonechat*
Turdus merula Common Blackbird
Sturnus unicolor Spotless Starling
Aegithalos caudatus Long-tailed Tit*
Parus caeruleus Blue Tit*
Parus major Great Tit*
Delichon urbica Northern House-Martin
Hirundo daurica Red-rumped Swallow
Hirundo rustica Barn Swallow*
Sylvia atricapilla Blackcap
Sylvia melanocephala Sardinian Warbler
Galerida cristata Crested Lark*
Melanocorypha calandra Calandra Lark*
Anthus spinoletta Water Pipit*
Motacilla alba White Wagtail
Passer domesticus House Sparrow
Passer hispaniolensis Spanish Sparrow
Petronia petronia Rock Sparrow*
Carduelis carduelis European Goldfinch*
Carduelis chloris European Greenfinch
Emberiza calandra Corn Bunting*
Emberiza cia Rock Bunting*
Fringilla coelebs Chaffinch

 

Quando ir

A primavera é considerada a melhor época para passarinhar – ainda que haja vários migrantes que só aparecem no inverno. Chegamos lá no dia 28 de março, passarinhamos nos dias 29, 30, 31 e 1º de abril. Dizem que a segunda quinzena de abril é a melhor época, com muitas aves e campos bem floridos. Também nos falaram que em maio já começa a ficar quente demais – talvez pros padrões Europeus, mas o fato é que o haze (mormaço) é mesmo um problema pras fotos. Fabio Olmos já foi várias vezes pra Espanha e disse que é bom em qualquer época, menos no verão, quando é calor demais.

Fotografia

O José tem lindas fotos. As fotos feitas no site da Casa Babel http://www.casababel.es/en/birding-extremadura são quase todas dele. Quando estávamos combinando por e-mail o passeio falei que queríamos fotografar, não só observar com luneta, ele havia pedido para trazermos as lentes de maior alcance possível, porque as aves costumam ficar longe. O Cris levou a 300 2.8 e teles de 1.7 e 2.0, eu levei a 300 f4 com tele de 1.4. Acho que foi suficiente 420mm. O Cris tinha 600mm para os Bustards, mas eles ficavam longe mesmo assim. Claro que com 800mm você fotografa muito mais de perto, mas como isso está fora de cogitação pra gente, achei ter 420mm de alcance algo bem razoável, estou satisfeita com as fotos. Na internet tem muitas imagens incríveis, mas a maioria são feitas de dentro de hides.

O que nos pareceu um grande problema é o haze, mormaço. A primavera tinha acabado de começar, o sol nascia às 8h, e mesmo assim, no intervalo entre 11h e 16h, 17h, a não ser que o bicho estivesse bem perto, o haze distorcia as imagens. Veja por exemplo a foto dos Black Vultures. Eles não estavam tão longe, mas já era na hora do almoço, haze demais.

Por acaso, topei com o site de um fotógrafo espanhol (ganhou vários prêmios, mas não é pro, e sim desses amadores bem sérios… ele é economista e trabalha em multinacional). Vale a pena ver como exemplo do que pode ser fotografado na Espanha e em outros lugares da Europa: http://www.jpgbirding.com/

Alimentação

Nas nossas quatro noites na Extremadura ficamos sediados na cidade de Torrejon el Rubio, a 4km de uma das entradas para o Parque Nacional Monfragüe. Também fica perto da cidade de Trujillo, que é bem maior e tem mais opções. Durante o dia fazíamos piquenique – tínhamos presunto, salame, patateira (algo que adorei: é um embutido, no formato de linguiça, mas quase cremoso, feito de batata, páprica picante e gordura de porco), queijos diversos, tomate, pão comprado no dia, ou então comíamos algo num boteco. Nosso almoço num boteco ou restaurante saía por algo como uns 24 a 30 euros. Nosso primeiro almoço foi num restaurante de estrada, o 134, que tinha pão, uma bebida, entrada, prato principal e sobremesa por 11 euros por pessoa. Esse esquema se repetia em outros lugares, às vezes a 12 ou a 18 euros, dependendo da cidade.

Em Torrejon, apesar de haver poucas opções pro jantar, encontramos uma ótima. O restaurante da hospedaria Carvajal. Não era barato. Nosso jantar com vinho saía por algo como uns 46 a 50 euros pro casal, mas a comida era deliciosa. A melhor carne de porco que já comi. Em geral, as carnes vinham acompanhadas de batatas e pimentões, tudo muito saboroso. Também comi ótimos Revueltos (um pratinho de aspargos ou cogumelos, com ovos e alho tostado). E lamentamos não ter comido o arroz com pato, ou arroz com coelho ou perdiz, vimos na mesa ao lado, parecia ótimo e o pessoal estava elogiando. Algumas fotos de pratos do Carvajal:

 

Na Hospedaria Parque de Monfragüe, o maior hotel da cidade, há menu de jantar a 18 euros. O serviço é ótimo – chegamos lá quase na hora de fechar, mas nos atenderam mesmo assim com toda boa vontade. Mas a comida era bem sem graça comparada ao Carvajal. Só fomos lá uma vez.

Hospedagem

O mais comum na Extremadura são as Casa Rurais. O Fabio Olmos havia indicado a http://www.casaruralelrecuerdo.com/, mas ela já estava lotada quando tentamos reservar. Pelo Google achei a http://www.casababel.es/en/accommodation-in-monfrague, também voltada para birdwatchers. A El Recuerdo tem diária de 70 euros com café da manhã, quarto para 2. A Babel tem diária de uns 55 euros com um café da manhã simples: suco, leite, café, geleia, croissants, tomate, bolinhos. São apenas 4 quartos, há fogão e geladeira, você pode fazer compras e ocupar uma das prateleiras da geladeira, um esquema muito simpático. Os quartos eram simples, o banheiro bem pequeno, mas tudo muito limpo, arejado, com bons materiais e acabamento. Você acorda de manhã, no seu horário, pega os itens da cesta, faz seu café, lava sua louça, pode levar alguns croissants e bolinhos se quiser.

Se você se interessou pela Casa Babel, faça a reserva direto pelo e-mail de contato da Casa. Eles estão no Booking também, mas fazendo direto com eles o José consegue um preço um pouco melhor.

Em toda Extremadura há várias casas rurais. Em Torrejon el Rubio também há um hotel grande, o Hospedaria Parque de Monfragüe, número 1 no Trip Advisor. Mas optamos pela Casa Babel, tanto pela localização perto do parque, como por ser focada em birdwatchers.

Locomoção

Alugamos um carro e ficamos com ele os 13 dias da viagem. Nosso voo saiu de São Paulo às 18h30, chegamos em Madrid às 11h, pegamos o carro e fomos pra Torrejon el Rubio, fazendo várias paradas no caminho. O carro também foi útil para explorar cidadezinhas nos arredores da nossa cidade sede. Era um Leon, da Seat. Se você pretende alugar um carro, pegue o menor carro possível – ou então nunca tente entrar no centro de uma cidadezinha. As ruas são tão estreitas que carros maiores não passam. Outra vantagem do Leon era autonomia: fazia 700km com um tanque.

Nas cidades como Madrid, Sevilha, Córdoba ou Granada não é muita vantagem ficar com carro, porque dirigir pelas ruas medievais é um estresse e a maioria dos programas você faz a pé ou pega um táxi barato. A reserva havia sido feita há meses, antes de termos certeza do roteiro, era caro pra mudar, tínhamos bastante bagagem e perspectiva de fazer compras, então ficamos com o carro e deixávamos em estacionamentos pagos, que podem ser bem caros. Na nossa primeira noite em Madrid chegamos tarde da noite e tivemos que deixar no estacionamento mais perto do Hostal: 30 euros pra uma noite. No dia seguinte mudamos para um mais barato, que custou uns 26 euros pra 3 dias.

A sinalização das rodovias, e mesmo dentro do aeroporto, não era das melhores. Quando desembarcamos foi confuso chegar no guichê da Hertz, e na volta também foi confuso chegar no terminal 2 – na pista não havia placas indicando, só pro 1 e pro 4. Acabamos indo pro 4, deixamos o carro lá, depois tivemos que pegar um ônibus interno pra ir pro terminal 2. A aeroporto de Madrid é enorme. Também passamos pelo perrengue de ter que passar pelo centro da cidade porque perdemos a saída que nos faria chegar ao aeroporto por outro caminho. Na Espanha há muitas estradas, várias formas de chegar no mesmo lugar, e nem sempre as bifurcações estão bem sinalizadas.

Não conseguimos achar algo como um desses chips internacionais para ter internet barata, então ficamos sem 3G na estrada, mas estávamos com um app de mapa off-line, o Maps.me. Só travou 1 vez, mas insisti e depois de umas três tentativas ele mostrou o caminho. Também mostrava onde havia postos de gasolina na estrada, e ícones de bares, restaurantes e atrações. Não é super-atualizado – claro que não terá todos os postos e restaurantes, e houve um trecho em que o traçado da estrada era diferente do que ele mostrava. E ele não é como o Waze, que fala o nome das ruas. Em alguns momentos, pelo desenho do mapa, você fica na dúvida se é pra pegar o túnel ou uma ruazinha lateral muito colada. Mas no geral foi ótimo, inclusive pra andar a pé na cidade. Todo hotel lhe dará um mapa impresso, mas esses mapas nem sempre têm todas as ruas. Com o app foi muito prático chegar a qualquer lugar. Naquelas ruas tortas, andava com o celular na mão e de vez em quando checava se estávamos na direção certa.

O Yelp tem um serviço de mapas beta bem legal, que fala “Turn left, turn right”, mesmo com a tela do celular apagado. Mas você precisa estar com internet, ou ter carregado o mapa num lugar com internet.

Porcos e presuntos

A Extremadura é a região do famoso porco ibérico. A cidade de Montanchéz é o lar do pata negra. Em todos os lugares você verá plaquinhas anunciando presunto ibérico, presunto de belotta. O presunto de belotta vem de um porco em que pelo menos 40% do peso foi adquirido comendo essas bolotas, que são um tipo de castanha, que confere ao presunto um sabor levemente amendoado. É muito gostoso, e diferente dos presuntos crus que comemos no Brasil. Uma das tardes na Extremadura teve como missão visitarmos a cidade de Montanchéz, de onde voltamos com várias peças e bandejinhas de presunto cru. Três das peças eram presentes pra família do Cris. Teoricamente você não pode trazer esse tipo de alimento na mala, mas nós conseguimos, mesmo sendo obrigados a passar a mala pelo raio-x na volta ao Brasil (eu devo ter a maior cara de mula e muambeira – em todas as viagens, sempre me param pra inspeção).

O presunto cru é realmente muito saboroso, as carnes de porco também. No nosso primeiro jantar no Carvajal, o Cris pediu um corte chamado “presa”, era uma textura e sabor que eu nunca tinha provado. Infelizmente há variação. Dois dias depois pedi o mesmo prato, era bom, mas não

 

Vale do Jerte e Sierra de Gredos

 

 

Fuente de Piedras

Paramos aqui porque era um lugar passarinheiro, entre Granada e Sevilha

https://www.tripadvisor.co.uk/Attraction_Review-g187428-d191210-Reviews-Laguna_de_Fuente_Piedra-Andalucia.html

 

Por que vale a pena passarinhar nos Estados Unidos e Europa

Esta foi a segunda vez que passarinhei na Europa. Havia passarinhado um pouco no Sul da França, em 2013, e também já passarinhei em parques urbanos dos Estados Unidos. Claro que a diversidade de espécies a serem vistas nunca será comparável à Amazônia ou Mata Atlântica, mas há algumas vantagens.

– Em geral há bastante luz e espaços abertos.

– Os lugares são seguros, mapeados, descritos em livros e trip reports. Há vários livros sobre os locais famosos, afinal, lá eles não tentam colocar as pessoas no cabresto, como é feito no Brasil.

– As estradas são ótimas. Em geral há boa infraestrutura. Há muitas opções de onde comer e onde se hospedar. Na Europa as distâncias são curtas.

– Na França o pessoal pode ser um pouco mais desinteressado, blasé, mas na Espanha foram todos bem simpáticos, com um atendimento muito atencioso. Além disso, os lugares são limpos, bonitos, bem conservados. Você não vê pobreza ou violência, os dias transcorrem naquele clima idílico de mundo ideal.

– Há muitos birdwatchers. Você vai nesses lugares famosos, sempre haverá alguém com quem conversar. No dia que chegamos em Monfragüe um monitor do parque veio papear comigo, perguntei qual era o ponto favorito dele, e assim recebemos a informação sobre o ninho da Spanish Imperial Eagle. Esse lugar é famoso, descrito em livros e reportes, mas com tanta informação pode ser difícil escolher o que ver. É diferente ler num livro e ouvir de um outro birder.

– Nunca fui constrangida com o tal “tem autorização para fotografar?”

– Me sinto segura pra viajar e passarinhar sozinha. Nas viagens pra Europa estava sempre com o Cris, mas sei que poderia estar sozinha sem grandes problemas. Nos Estados Unidos passarinhei sozinha em parques de Manhattan e Las Vegas. Dentro dos Parques Nacionais da África do Sul também me sinto bem segura, já passei uma semana sozinha no Kruger.