É fácil e barato fotografar no Pantanal Norte

Quanto custa pra um casal um fim de semana estendido no Pantanal

Passagens aérea pra Cuiabá, saindo de Congonhas: R$ 1.300 (duas pessoas, ida e volta)

Quatro diárias na Pousada Piuval, incluso alimentação e um passeio por dia: R$ 2.400

Bebidas, sorvete na Piuval: R$ 200

Carro na Movida, um Duster automático, 4 diárias com taxas: R$ 751

Gasolina R$ 300

Total de R$ 4.951

A Transpantaneira é uma larga estrada de terra de 140km que liga Poconé a Porto Jofre, atualmente o melhor lugar do mundo para ver a onça-pintada. De barco, há relatos de pessoas que viram mais de 10 num dia. Se você reservar três dias para Porto Jofre, é praticamente impossível não ver nenhuma onça, e a maioria das pessoas vê no primeiro dia. Além da onça, essa é uma viagem para ver centenas de garças, dezenas de jacarés, capivaras, quatis, colhereiros, cabeças-secas, gaviões-belos, martins-pescadores. Se você estiver com um guia ornitológico, verá dezenas de espécies de aves. Quanto aos mamíferos, com alguma sorte poderá ver tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, tatu, veado-campeiro, cervo-do-pantanal, jaguatirica, irara, cachorro-do-mato, bugios e outras espécies de macacos.

Ao longo da estrada há várias opções de hospedagem, que devem ser reservadas de preferência com meses de antecedência. O período de junho a setembro é a alta temporada. Também é possível ir na época das chuvas, mas a estrada estará pior e para chegar em Porto Jofre você precisará de um 4×4.

Em Cuiabá há várias placas indicando a direção de Poconé, nem precisa do GPS. Em Poconé há mercados para comprar água, snacks, frutas, há farmácias e postos de gasolina. Abasteça o carro, porque na Transpantaneira não há postos. Às vezes há gasolina em Porto Jofre, mas a preços bem altos.

Na época da seca a estrada é boa, sem buracos e, pelo menos até o km 80, todas as pontes pelas quais passamos eram novas, de concreto, ou eram de madeira mas estavam em boas condições. Mais ou menos no km 80 chegamos numa ponte velha de madeira, com várias tábuas faltando, e confesso que amarelei. Dava para passar, mas arriscar pra quê? A gente não precisava chegar em Porto Jofre, estávamos passeando pela estrada, então só manobrei o carro e voltamos.

A viagem ideal para passarinheiros é contratar um guia que monte um roteiro passando por várias pousadas, onde cada ponto há mais chance de ver bichos específicos. Fizemos isso em julho de 2013, viajamos com o Geiser Trivelato, foi uma viagem incrível, você pode ver o relato neste post: http://virtude-ag.com/vg-pantanal-jul13-claudia-komesu/

Na viagem de 2013, na região do Portal da Transpantaneira (o início da estrada) fotografamos uma das cenas mais legais que já vi: uma garça-moura tinha acabado de pescar um peixão e um gavião-belo tentou roubar. Mas não era a clássica cena de perseguição aérea, e sim uma tática de guerrilha da garça. O gavião investiu umas quatro vezes, mas em vez de alçar voo (cenário em que provavelmente ela sairia desfavorecida, o gavião é mais ágil), a garça simplesmente mergulhava a cabeça com o peixe na água uma fração de segundos antes do gavião dar o rasante. Depois de umas quatro investidas, a garça conseguiu engolir o peixe, e o gavião teve que ir embora, se lamuriando.

Depois de ver essa cena no Portal, e de descobrir que era tão fácil e barato chegar na Transpantaneira, eu e o Cris pensamos que voltaríamos pra Transpantaneira em viagens despretensiosas, praticamente um bate e volta, só pra fotografar momentos de ação.

A viagem com o Geiser em 2013 foi planejada e comprada com mais de 6 meses de antecedência. A Transpantaneira vive cheia de estrangeiros, que costumam fazer as reservas um ano antes. Neste ano, quando voltamos das férias de julho com a família, pensei que poderíamos dar um pulo na Transpantaneira. Não tinha muita esperança de que conseguiríamos um quarto, mas conseguimos. Pedi uma sugestão pro Geiser, expliquei que queríamos só fotografar coisas como gaviões aterrorizando garças espertas, e ele recomendou a Piuval ou a Pouso Alegre. Já conhecíamos as duas da viagem de 2013, mas descartamos a Pouso Alegre porque ela tem 8km de terra entre a estrada e a pousada que são terrivelmente ruins, leva uns 40 minutos pra percorrer. Esse trecho é bom pra ver aves, mas sacolejante demais pra quem tem problemas de coluna, como o Cris.

Pelo Tripadvisor não consegui reservar, então mandei email, e eles tinham um quarto no final do mês. Saímos de Congonhas meio-dia numa sexta, às 17h estávamos no Portal da Transpantaneira fotografando jacarés e o por-do-sol. Tivemos mais 3 dias inteiros de passeio e a manhã da terça.

A hospedagem na Piuval dava direito a diversos passeios (e você também poderia contratar outros a parte), mas decidimos só fazer dois safaris (aquelas caminhonetes com bancos na caçamba). Nossos guias eram bons, mas no primeiro passeio na manhã de sábado não tivemos sorte. O falcão-relógio que o Geiser tinha dado a dica não estava mais com ninho, vimos um grupo grande de bugios alto na contraluz, um belo casal de araras-azuis-grandes, martim-pescador-verde batendo um peixe, papagaio-verdadeiro, socó-boi, garça-real, gavião-belo pousado, urubu-de-cabeça-amarela pousado em luz linda, tucanuçu, várias emas, xexéu em display – isso é uma manhã fraca no Pantanal.

Depois do passeio tomamos café da manhã e fomos pra região do Portal. Infelizmente não estava como esperávamos. Tinha muito menos água do que em julho de 2013, poucos bichos, nada de cenas de perseguição ou pirataria. Mas é o Pantanal, e sempre há muito o que fotografar.

O momento mais legal foi um bando de trinta-réis-pequenos, com jovens que eram alimentados no ar. O adulto pescava, depois a gente via um bololô no céu, e pelas fotos entendemos que em pleno voo o adulto passava o peixinho para o jovem reclamão.

No final de agosto já estava 38 C. Ou seja, perto da hora do almoço voltávamos pra pousada, almoçávamos, e só voltávamos a sair lá pelas 15h30. Nos dias seguintes, de manhã lá pelas 7h ainda era possível ver bandos grandes de garças, colhereiros e tuiuiús fazendo a festa nas poças d´água. Perto das 8h o movimento dos carros dispersava os bandos. Esse é o ponto ruim de passarinhar na estrada principal: carros em alta velocidade levantando muita poeira. Só dá pra ficar perto das pontes, porque são pontos em que eles se veem obrigados a diminuir a velocidade. A ponte mais popular fica cheia de carros e gente se fotografando, então lá não tem poeira. Mas passarinhar no meio da estrada é quase impossível.

Dentro da Piuval você podia andar nos arredores da sede, e também podia contratar o guia para fazer caminhadas a pé, mas eram trechos longos, e naquele calor, a gente só queria saber de trechos curtos, e voltar pro ar-condicionado do carro.

Uma outra opção, que não fizemos nesta viagem porque achávamos que só iriámos aproveitar a região do Portal, são day uses em outras pousadas. A Araras Ecolodge tem diárias astronômicas (4 diárias saíam por R$ 7.000), mas em 2013 fizemos um bom day use lá, e imagino que não é tão caro. As outras pousadas que fomos em 2013 são a Pouso Alegre, a Rio Claro e a Santa Tereza. Todas são boas (foram selecionadas pelo Geiser), mas a Pouso Alegre tem a questão dos 8km ruins, e a Piuval era a mais perto do começo da estrada, ela fica no km 10.

Na manhã da segunda-feira o Cris precisava ir pra Poconé usar a internet. Na Piuval tem internet, mas é falha, e ele precisava participar da abertura de alguma coisa com bitcoins. Demos uma volta de manhã, fotografamos nascer do sol, jacarés sob luz de nascer do sol, depois ele foi pra Poconé, eu fiquei nos arredores da sede da Piuval, e nos brejinhos próximos tive um ótimo avistamento de gavião-pernilongo caçando (provavelmente insetos grandes). Ele ficava pairando, não muito longe, e de repente mergulhava. Esse brejo também rendeu boas fotos de caturrita se alimentando, cavalarias, anu-branco, insetos e flores. Mas só até 10h, depois os bichos sumiram e ficou muito quente.

À tarde fizemos um safari para procurar tamanduá-bandeira (no domingo perdemos um tamanduá-mirim por alguns minutos. Saímos um pouco mais tarde, e quando passamos pela estrada soubemos que os alemães tinham acabado de passar uns 20 minutos observando um tamanduá-mirim, na estrada ainda dentro da Piuval). Nesse passeio da segunda-feira não conseguimos ver tamanduá-bandeira, mas vimos uma onça-pintada. Já no final do passeio, dentro da Piuval, fizemos uma curva e lá estava ela, uma fêmea majestosa, meio barriguda, nas fotos dá pra ver as tetas, depois ficamos pensando qual a chance dela estar com filhote. Ela caminhou por uns metros na nossa frente, sem pressa alguma, então depois entrou num embrenhado e sumiu. Nós tínhamos visto a onça no passeio em 2013, em Porto Jofre, de dentro de um barco, e ela estava mais próxima. Mas ver na terra dá uma emoção diferente.

Na terça-feira ainda aproveitamos a manhã na Transpantaneira. Grandes bandos de garças, um lindo casal de arara-azul-grande – nós as avistamos voando, e fomos seguindo-as com o carro, elas voavam paralelas à estrada. Pousaram numa palmeira próxima da estrada, logo depois desceram pra beber água numa poça. Rendeu boas fotos. Vimos também um casal de urubus-de-cabeç-vermelha pousados, lindos. Família da capivara, com filhotes bem pequenos. Gavião-caramujeiro se alimentando. Tuiuiú no ninho com dois filhotes pequenos, e alguns segundos com bando de caturrita ao redor. E fim do passeio.

A Transpantaneira é oficialmente um parque nacional. Há uma placa, e portaria com cancela. (não lembro da placa em 2013). Em duas ocasiões fomos parados pela fiscalização, que pediu para ver a carteira de motorista. Ouvi falar que eles também fiscalizam o turismo, e exigem documentação de guias turísticos, ou seja, se você está lá com seu guia ornitológico é melhor parecer que vocês são amigos passarinhando juntos.

Quanto à época do ano, um dos funcionários da Piuval nos falou que na opinião dele, os meses mais difíceis pra suportar insetos são novembro e dezembro, mas que a partir de janeiro já é bem aceitável e é possível ver vários mamíferos. Ele nos falou que este ano foi tão quente que animais como tamanduá-bandeira não se afastavam muito das poças d´água, nem faziam grandes deslocamentos, e por isso não conseguimos ver. Não sei bem o conceito dele de muito inseto… nessa viagem durante o dia era tranquilo, mas no entardecer eram tantos pernilongos que a gente só conseguia ficar poucos minutos fora do carro fotografando, os pernilongos entravam até no espaço entre a câmera e o rosto. Talvez em novembro e dezembro sejam insetos o dia todo. Na nossa próxima viagem pra Transpantaneira vamos tentar pegar junho ou julho. Sei que setembro e outubro ainda são meses muito bons pra ver onças, mas como temos esperança de ver cenas de ação entre as aves, achamos que fim de agosto já estava muito seco.

Como ver a onça-pintada em Porto Jofre

Quando fomos em 2013, simplesmente chegamos em Porto Jofre, pedimos informação e em minutos tínhamos um barqueiro para nos levar. Ainda em terra, nos falaram que havia uma onça próxima, dormindo, e que o Araquém Alcântara estava com um pessoal lá.

Chegamos nesse ponto, além do Araquém havia vários outros barcos em volta.

Atualmente nos falaram que qualquer pousada que você vá tem contato de barqueiros, e você já combina o passeio antes de sair pra Porto Jofre.

Se você contratar um guia ornitológico como o Geiser, ele já deixará tudo combinado.

Num passeio de barco o Geiser já levou clientes que conseguiram fotografar onças acasalando, onças caçando jacarés ou capivaras. Além da onça, nesse passeio você poderá ver várias aves, inclusive a garça-da-mata, que costumava ficar só na Amazônia, mas nos últimos anos se estabeleceu no Pantanal (os biólogos enxergam isso como um sinal de degradação da Amazônia). E você também pode ver ariranhas.

 

Porto Jofre: onde ficar pra ver a onça-pintada

Em 2013 estávamos hospedados na Pousada Santa Tereza, e fizemos um bate e volta pra Porto Jofre, mas era longe, mais de 2h de estrada. https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g1191961-d1516197-Reviews-SouthWild_Pantanal_Lodge-Pocone_State_of_Mato_Grosso.html#REVIEWS. Não é fácil achar a Santa Tereza no Google, mas como é no km 66, acho que você pode usar este hotel como referência, que fica no km 65: https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g1191961-d3297579-Reviews-Pantanal_Mato_Grosso_Hotel-Pocone_State_of_Mato_Grosso.html. Se não me engano fizemos um day use nesse hotel, tinha um deck bonito pra ver o por do sol.

Em Porto Jofre há um hotel, voltado para pescadores, e que também vai oferecer toda a estrutura para os passeios pra ver onça: https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g1191961-d2648948-Reviews-Hotel_Pantanal_Norte_Porto_Jofre-Pocone_State_of_Mato_Grosso.html.

Este lodge fica mais perto de Porto Jofre, mas não tenho informações sobre ele https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g1191961-d1556767-Reviews-Jaguar_Ecological_Reserve-Pocone_State_of_Mato_Grosso.html.