• Fotos: Claudia Komesu (Nikon D800 300 f4 VR tele 1.4, Canon S120) e Cristian Andrei (Nikon D800 e 300 f4 teles 2x e 1.7 e Fuji XT1 com 18-55), e algumas fotos da gente feitas pelo Batista
  • Guiados pelo João Batista (dois dias) e depois pelo Alciângelo
  • Originalmente publicado no Virtude-ag.com

No final de abril eu e o Cris finalmente conhecemos a região da Lagoa do Peixe, famosa por ser um paraíso para as migratórias. Pegamos umas chuvas atípicas para a época, a estrada para a Lagoa do Peixe inundou de uma forma que mesmo com o jeep, só pudemos ir no primeiro dia.

Por causa das chuvas e estradas impedidas, não vimos uma profusão de bandos. Mesmo assim adoramos a viagem. O vento forte, a chuva, as áreas alagadas, o frio – tudo isso aumentava a sensação de aventura. E aventura com mordomias, porque tínhamos como guia e motorista o João Batista, do Hotel Parque da Lagoa. Não imagino pessoa mais experiente para ter como companhia. Passamos por uns lugares com quase 1m de água, e só não me preocupei porque conheço a reputação do Batista, e se ele achava que passaríamos, então passaríamos.

Gostar de chuva e tempo cinza aumenta as chances de aproveitarmos as viagens, não dependemos só de tempo bom. Mas talvez a gente seja apenas loucos mesmo, porque não parece tão normal a alegria que a gente estava ao se deparar com estradas assim:

Fotografamos na Lagoa do Peixe no primeiro dia, e nos outros tivemos que ir pra outras áreas. Lagoa dos Patos, balneário mostardense, alguns cantinhos que o Batista conhecia. Desculpem por não conseguir descrever com exatidão, este relato está prejudicado porque escrevo 3 meses depois. Em geral tento escrever logo que volto, mas durante a viagem soube do falecimento do irmão de uma amiga. Ele não era meu amigo, mas eu o conhecia, ele tinha menos de 40 anos e sua morte me abalou.

Ficamos no Hotel Parque da Lagoa, o mais conhecido entre os birdwatchers. Ele pertence ao João Batista. É um hotel simples, atende todas as necessidades, você pode combinar café da manhã mais cedo ou pedir pra fazer uns sanduíches pro dia seguinte. Em geral quem fica lá também contrata os passeios de jeep com o Batista. Esses passeios não são baratos, mas o fato é que as estradas na região são ruins (região arenosa), e o tempo é imprevisível. Se estiver seco, um carro comum passa pela maioria das estradas. Se tiver chovido, vários lugares você só chega com o jeep.

Fechamos um pacote com o Batista que incluiu hospedagem, alimentação, os passeios, transfer para nos pegar e devolver no aeroporto de Porto Alegre (250km, umas 3h40).

  • 4 diárias em apart casal.
  • 3 saídas de campo.
  • 14 refeições.
  • Transfer, in out Porto Alegre.
  • Valor do pacote para o casal , R$ 4.100.

Pode parecer caro à primeira vista, mas se você somar aluguel de 4×4, ou então transfer, carro, passeios, hospedagem, alimentação, o preço compensa. E com o pacote você tem a tranquilidade de ter um motorista experiente.

Almoçamos e jantamos nos restaurantes de Tavares. Eram poucas opções mas tudo ok. Buffets honesto na hora do almoço, a la carte à noite.

Tavares é uma cidade muito pequena, então não foi surpreendente topar com outros birdwatchers na hora de jantar. Chegamos no local que o Batista indicou, a televisão estava ligada num volume alto mas parecia que ninguém estava assistindo. Umas pessoas indo embora, na única outra mesa havia dois senhores. Fui até eles e perguntei se eles se eles estavam assistindo, e se eu poderia pedir pra baixar ou desligar. Falaram que sim. Durante o jantar, comecei a ouvir um papo passarinheiro, gavião-de-penacho e palavras assim. Terminamos nossa comida e fui até a mesa “Com licença, acabei ouvindo um pedaço da conversa de vocês, vocês são passarinheiros?”, “Somos, e você é a Claudia Komesu”.

Descobri que estava frente ao Roberto Seckendorff e ao Aluisio Ferreira, que eu conhecia de nomes, mas não tinha reconhecido ao vivo. O Cris falou “vocês reconheceram a Claudia”, e eu mesma falei “não devem ter muitas japonesas de cabelo vermelho por aí”. Eles estavam numa outra pousada, e tinham contratado o Flavio Ronaldo como guia. Topamos com eles num dos dias, passeamos um tempo juntos, almoçamos juntos. Num dos jantares, além de nós quatro se juntou a nós o Celso Almeida. E conversa de passarinheiro é assunto infinito, a gente só se despediu porque todos tinham que acordar cedo no outro dia.

Não tivemos muita sorte na questão de diversidade de aves, mas nos divertimos muito. Gostamos bastante do cenário de praia, o ambiente é muito cênico, fundo limpo, luz, oportunidade de pegar as aves se alimentando, em voo. Praia é um dos nossos locais favoritos pra fotografar. Sempre rende fotos bonitas, e também há ótimas oportunidades para fotografia de paisagem.

Quem está em busca de um passeio com a tranquilidade de ser guiado por alguém que tem jeep e experiência de muitos anos, recomendo o João Batista hoteltavares@yahoo.com.br. Se você é birdwatcher e quer um guia especializado, as pessoas ou levam o Geiser Trivelato ou o Rafael Fortes (que dispensam apresentações, os birdwatchers sabem quem são), e também há a opção do Flávio Ronaldo, que agora está morando em Tavares, é um guia bem recomendado por quem já fez o passeio com ele: http://www.wikiaves.com.br/perfil_FLAVIORS. O João Batista conhece os principais pontos, e sabe usar o playback, mas ele não é especializado como os guias ornitológicos. Fora isso, também é bom lembrar que as aves que dependem do playback costumam ser imprevisíveis, há dias que dá certo, outros que não.

Se o seu barato é cenários e fotos bonitas, esses locais para fotografar bandos de aves na praia nunca enjoam.